7 Temas Importantes no Cotidiano de Toda Startup

Startups e as Potenciais Repercussões Significativas para seus Fundadores, Sócios, Investidores, Empregados e demais Interessados.

O propósito desse texto é expor alguns temas que de alguma forma se relacionam a todo empreendimento, especialmente quando observado o ciclo de existência das startups. Dessa forma, pretende-se descrever de forma livre e sem compromisso com a completude dos assuntos, mas de maneira clara que permita oferecer insights a quem vive atualmente essa jornada.

Os primeiros atos de execução da grande maioria das startups, são  livres de qualquer preocupação com o cumprimento de exigências burocráticas, sejam elas relacionadas aos sócios, parceiros, e autoridades.

Evoluindo de “ideia”, “sonho”, “projeto”, para consequente empreendimento, apto a proporcionar receita, receber valores para expansão, algumas questões se apresentam significativas, importantes, muitas vezes ponto crucial para o amadurecimento e evolução do negócio.

Pensando no assunto é possível elencar, ao menos, os 07 temas abaixo:

1 – Relacionamento com os Sócios;
2 – Vínculo com os Colaboradores;
3 – Proteção Patrimonial;
4 – Envolvimento com o Clientes;
5 – Relação com os Investidores;
6 – Relacionamento com o Estado;
7 – Engajamento com a Comunidade;

1 – Como relacionar-se com os Sócios:

Ainda que a iniciativa da startup decorra de esforço individual, de apenas uma pessoa, durante o desenvolvimento das fases iniciais é necessário contar com outros envolvidos, seja, por exemplo, para o aporte inicial de valores básicos para a aquisição de insumos, pagamento de serviços básicos, seja para ajudar na execução de tarefas, manutenção das instalações, etc.

Independente do motivo, em algum momento, a startup necessitará formalizar uma relação de sociedade, até mesmo nos casos de um só empreendedor, que poderia se utilizar da sociedade individual (EIRELI) para restringir os efeitos do empreendimento a uma forma societária apropriada.

Pretendendo captar recursos financeiros para a expansão das atividades, contratação de colaboradores, locação de espaços, aquisição de equipamentos, e outros, a existência de uma sociedade formal constituída pode antecipar diversas etapas e permitir a análise isolada dos números do empreendimento.

2 – Dedicando atenção aos Colaboradores:

Além de ajustar o vínculo societário, a constituição da pessoa jurídica, também facilita a formalização dos vínculos com os colaboradores.

As regras trabalhistas conferem aos colaboradores direitos como férias, 13º salário, jornada de trabalho, limitação de horas extras, dentre outros. O descumprimento, ou falta de controle, do cumprimento desses direitos dos colaboradores pode gerar um passivo considerável a respeito desse tema.

Dependendo do tamanho da projeção do potencial passivo trabalhista, a startup poderá perder oportunidades de investimentos ou ter que suportar os custos com eventuais processos na justiça do trabalho. Sendo assim, o cuidado com os colaboradores e as garantias a eles conferidas contará como diferencial positivo no desenvolvendo do empreendimento.

3 – Protegendo o Patrimônio:

Outro item que pode significar mais para alguns modelos de negócio quanto para outros é a proteção patrimonial.

Principalmente quando relacionado a projetos tecnológicos envolvendo hardware, a procura pela proteção de projetos, antes mesmo do desenvolvimento do MVP é recomendável.

Além da proteção do próprio produto, de segredos relacionados às aplicações, recomenda-se que sejam adotados procedimentos de proteção de bens intangíveis, como a marca da startup.

As formas de proteção patrimonial das startups são inúmeras, mediante a aplicação de barreiras tecnológicas (antivírus, firewalls, etc.), registro de projetos, marcas no registro de marcas e patentes, bem como a celebração de acordos como Non Disclosure, Non Competition, Non Solicitation Agreements.

4 – O propósito é o Cliente:

Considerando que o negócio é desenvolvido com foco na solução de um determinado público consumidor, o envolvimento com o o cliente é essencial para o sucesso de qualquer empreendimento.

A preocupação com esse público deve ocorrer em todas as etapas do negócio, desde a concepção da solução até o encantamento na entrega do produto/serviço final ao consumidor.

É importante lembrar que mais que a finalidade, objetividade, aplicação de um produto ou serviço, a experiência aproveitada pelo cliente é que levará o consumidor a adquirir a solução da startup.

Portanto, tanto na divulgação da solução, apresentação, quando na negociação, venda e entrega, em todos os momentos os clientes podem se sentir especiais, e fazer parte de uma experiência moderna, não rotineira, especial, inovadora, responsável, como pode ser visto em casos como da Uber, Yellow, Grin, o primeiro Iphone (a Apple sempre foi exemplo de como encantar o cliente) dentre outros.

Não menos importantes são as normas relativas às relações cíveis de proteção aos consumidores. Obviamente se o seu cliente estiver satisfeito, dificilmente haverá qualquer conflito a ser resolvido.

Entretanto, é indispensável que a relação de venda e compra, locação, cessão, prestação de serviço, ou outra, seja formalizada adequadamente, assim como as regras referentes à troca de produtos, garantias, forma e meios da prestação de serviços sejam expostas com clareza e em linguagem de fácil compreensão.

5 – Relacionando-se com os Investidores:

Aproveitando as questões referentes à clareza e linguagem compreensível, o mesmo se aplica às relações com os investidores da startup.

Preliminarmente os interesses dos investidores e da startup parecem ser os mesmos, podendo inclusive assimilar ou consubstanciar numa relação entre sócios, no entanto, os interesses e obrigações devem ser muito bem expostos e formalizados.

Quando uma startup recebe capital ela está disposta a entregar algo em troca. Da mesma forma, o investidor (investidor anjo, venture capital ou private equity) quando “aposta” no empreendimento o faz em troca de algo.

A startup oferece como atrativo ao investidor parte da sua receita, seja ela na forma de lucro ou do pagamento de dívida somada a juros remuneratórios.

O investidor poderá assumir o risco do empreendimento junto aos fundadores através do recebimento de uma participação na startup, pode limitar seu risco mantendo apenas uma relação como credor. Ainda, pode combinar as duas opções, mantendo uma relação de credor até determinado momento do negócio no qual poderá exercer a opção de ingressar como sócio.

Independentemente da opção adotada acima, é essencial aos envolvidos formalizar claramente todas as obrigações assumidas e direitos conferidos, como o percentual dos juros a serem pagos/recebidos, prazos, forma de capitalização, percentual da participação a ser cedida/recebida, fator de conversão da dívida em participação, etc.

Algumas formas societárias facilitam o recebimento de recursos nas modalidades acima mencionadas, entretanto, chama-se a atenção para a realização do devido planejamento prévio antes de qualquer decisão, visto que pode haver impactos financeiros relevantes, como o relacionado ao regime tributário, por exemplo.

6 – Adequar-se às normas e o respeito ao Estado:

Talvez a manifestação mais tradicional da relação entre empreendedores e o Estado seja a cobrança e o pagamento de tributos (impostos, taxas, contribuições, etc.).

Entretanto, o Estado cumpre (ou deveria) funções de proteção da sociedade como a avaliação da segurança de estabelecimentos concedendo alvarás de funcionamento, autorizações ambientais, permissões para o exercício de atividades reguladas, etc.

Ainda, em determinados setores com exposição significativas a riscos, como financeiro, de saúde, etc., a imposição de uma enormidade de normas e entidades reguladoras e autorreguladoras é controversa, mas atualmente existente.

Sendo assim, dependendo da área de atuação da startup, o relacionamento com o Estado poderá ser mais ou menos intenso, sendo essa questão significativa para a determinação dos custos do empreendimento.

7 – Engaje-se com a Comunidade:

Finalmente, o engajamento com a comunidade apresenta-se como forte recomendação de atenção da startup.

A simpatia da coletividade a determinada situação decorrente do apelo (socialmente, ambientalmente responsável, inovador, ágil, etc.) pode determinar o futuro de uma startup, ou, pelo menos a velocidade do seu crescimento.

Um aplicativo de carona além de ser mais barato que os transportes públicos comuns, deve preocupar-se com a redução de veículos no trânsito, com a redução de emissão de gases na atmosfera.

As bicicletas e patinetes elétricos, possuem o mesmo apelo, adicionado à mobilidade, inovação.

As plataformas de conexão de pessoas com interesses opostos, como as Sociedades de Empréstimos entre Pessoas (SEP ou P2P) apelam para a redução dos custos bem como a facilitação dos processos, redução das burocracias e afastamento dos intermediários. 

Finalizando:

Os itens mencionados são apenas alguns que se apresentam relevantes às startup em certos momentos do seu ciclo de existência, podendo variar caso a caso, tempo em tempo, mas haverá a necessidade de se dedicar a cada um dos temas, prevenindo potenciais danos e proporcionando maiores ganhos a todos os envolvidos.